Òṣùmàrè: A Serpente-Arco-Íris da Renovação e da Riqueza
Domínio Principal
Símbolos Sagrados
Cores e Dia
Saudação
1. Introdução: O Princípio do Movimento Contínuo
Òṣùmàrè é a divindade do movimento, da continuidade e da renovação. Ele é representado pela grande serpente que morde a própria cauda, simbolizando o ciclo infinito, e pelo arco-íris, a ponte que liga a Terra e o Céu. Oxumarê representa a riqueza, não apenas a material, mas a riqueza que vem da perpetuação da vida. Ele leva a água da Terra para o Céu para que a chuva possa cair e fertilizar, garantindo que o ciclo nunca termine.
2. Mitos Fundamentais (Itan)
Um de seus mitos narra que Oxumarê era o servo de Xangô, e sua beleza era tão grande que o rei o queria sempre por perto. Oxumarê, no entanto, desejava a liberdade. Olodumare, vendo seu desejo, permitiu que ele subisse ao céu por seis meses na forma do arco-íris, e vivesse na terra por outros seis meses na forma de serpente. Este mito explica sua natureza dupla e sua conexão com o movimento cíclico entre os dois mundos.
3. Domínios e Símbolos
Seu domínio é o céu (quando é o arco-íris) e a terra (quando é a serpente). Seus símbolos são a serpente de metal (geralmente bronze) e as contas de miçangas de todas as cores. Suas cores são as cores do arco-íris, ou a combinação de verde e amarelo.
4. Arquétipo e Personalidade
Os filhos de Oxumarê são pessoas perseverantes, pacientes e que passam por grandes ciclos de altos e baixos na vida, mas sempre se renovam. São elegantes, vaidosos e possuem um talento artístico. Não gostam de monotonia e estão sempre em busca de movimento e mudança. Podem ser um tanto ambíguos e de difícil compreensão para os outros, devido à sua natureza dupla.
5. Sincretismo e Qualidades (Caminhos)
No Brasil, foi sincretizado com São Bartolomeu, que na iconografia católica foi um mártir esfolado vivo (um processo de troca de pele, como a serpente). Oxumarê é cultuado como uma divindade andrógina ou de gênero fluido, e não possui “qualidades” distintas. Sua dualidade já está contida em sua essência, sendo a serpente (masculina) e o arco-íris (feminino) as duas faces de uma mesma divindade.